Por trás do baixo crescimento do PIB

guidomantegaO mês de março teve início com uma notícia que deixou muitos brasileiros assustados: a economia completou dez trimestres com um crescimento abaixo de 1%. O PIB (Produto Interno Bruto) referente a 2012 foi de 0,9%. Antes das análises alarmistas, porém, é preciso considerar alguns fatores. Economistas concordam que o crescimento de 7,5% registrado em 2010 foi uma espécie de um ponto fora da curva. Esse desenvolvimento só foi possível pelo desempenho robusto da demanda interna. O governo facilitou o crédito e os brasileiros foram às compras. Esse foi o grande motor.

Enquanto dentro do País, as classes de menor poder aquisitivo começavam a ascender, os gargalos estruturais continuavam sem receber o investimento necessário. O setor de infraestrutura e a indústria foram os que mais sofreram nos últimos anos com o baixo nível de investimento. Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o Brasil investe hoje cerca de US$ 45 bilhões em projetos de infraestrutura. Para crescer de forma sustentável, esse valor teria de saltar para algo em torno de US$ 85 bilhões e US$ 90 bilhões por ano.

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Nesse sentido, um novo pacote de concessões em infraestrutura de transporte foi anunciado na semana passada. O programa concede US$ 235 bilhões para melhorar a estrutura de portos, aeroportos e ferrovias. “O pacote ataca o problema, mas é preciso saber em que velocidade ele será efetivado”, observa Emerson Marçal, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nos últimos tempos, a presidente Dilma Rousseff tem apostado em pacotes de infraestrutura para aquecer a economia e atrair capital estrangeiro.

Esses programas são colocados em prática através das chamadas PPPs – parcerias público privadas –, uma espécie de sociedade entre o governo e as empresas. A manobra é considerada delicada já que traz de volta à tona o debate das privatizações. O governo petista, historicamente contrário o discurso de privatizar determinados setores da economia, não classifica a medida como tal. “Privatização é quando uma empresa estatal é vendida ao setor privado”, defende Guido Mantega, ministro da Fazenda.

Armas do governo

Medidas para elevar o PIB brasileiro vêm sendo tomadas desde o segundo semestre de 2012 pelo governo. O corte de impostos na conta de energia elétrica, a queda na taxa de juros e a desoneração da folha de pagamento foram os grandes destaques do noticiário do ano passado. Entretanto, para o economista da Fundação Dom Cabral, Paulo Vicente, essas ações refletem um estilo de gestão de “microgerenciamento”, ou seja, regras que mudam com muita facilidade. “É preciso pensar nos próximos dez anos, não nos próximos dez meses”, afirma. Ações pontuais, segundo ele, afastam os investidores.

Por outro lado, é inegável que as recentes medidas ajudarão a produzir a tão almejada diminuição de custos. É importante lembrar, porém, que elas passaram a vigorar em janeiro desse ano, e o seu efeito será percebido apenas no cálculo do PIB do primeiro trimestre de 2013. Sendo assim, não é tão surpreendente que o PIB de 2012 tenha registrado um crescimento ínfimo.

Embora as classes sociais tenham adquirido um maior poder de compra e a taxa de desemprego tenha se mantido baixa, os problemas estruturais do Brasil já ecoavam há tempos. Agora, é o momento de abrir mão do crescimento vertiginoso, produzido pela facilidade do crédito e pelo estímulo ao consumo, para se concentrar nos buracos mais profundos, como a baixa competitividade e o alto custo de produção no País.

Para mais informações, leia aqui a matéria da revista ISTOÉ na íntegra.

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