Capibaribe

Capibaribe – Mesmo rio: outra gente

No ano em que se completou 10 anos da morte de João Cabral de Melo Neto (09/01/1920 – 09/10/1999) surge Capibaribe – Mesmo rio: outra gente. Inspirado na narrativa poética Morte e Vida Severina, o livro refaz a trilha do rio Capibaribe da nascente à foz e, nesse longo percurso – dos sítios e palafitas às “casas grandes” de Recife -, surge um Pernambuco de cores e de vida; uma vida agora mais vivida que defendida, diferente da perspectiva observada por Severino – o célebre personagem descrito por Cabral na década de 1950. Nas palavras da professora de jornalismo literário da USP, Cremilda Medina, Capibaribe – mesmo rio: outra gente surge como uma atualização histórica de uma região tão aclamada por inúmeros poetas brasileiros e ainda hoje vítima de estereótipos sociais.

Em 194 páginas, o livro narra as histórias de vida das pessoas que vivem em cidades interceptadas pelo Rio Capibaribe. Após 40 horas de viagem de ônibus, as repórteres chegam a Pernambuco para reviver a saga de Severino, observando como as transformações geográficas alteram os modos de vida das populações locais. O rio Capibaribe no Agreste, na Zona da Mata e no Litoral são revisitados e juntos se apresentam como o fio condutor da narrativa.

Sinopse

Janeiro de 2009. Uma viagem de ônibus com destino a Pernambuco revela histórias de vida de pessoas que vivem em cidades interceptadas pelo rio Capibaribe. Inspirado em Morte e Vida Severina – Auto de Natal pernambucano, o livro-reportagem Capibaribe – Mesmo rio: outra gente dá voz ao nordestino do século XXI. O livro entrelaça sua narrativa conforme o curso do Capibaribe, que nasce em Poção, no Agreste, e desemboca em Recife, na Zona Metropolitana. Preservando gestos, jeitos e palavras vêm a tona um outro Nordeste. Talvez por muitos, desconhecido.

Trechos

“O sotaque e a atmosfera cultural que ali se respira são quase os únicos traços que marcam a diferença entre a capital pernambucana e a capital paulista. Capibaribe – Mesmo rio: outra gente apresenta ao leitor, nas mesmas paisagens de Morte e Vida Severina, o novo homem pernambucano, ainda que severino em sua essência”. (PREFÁCIO)

“Um senhor de olhos azuis cansados e com a pele clara marcada por sinais do tempo segurava firmemente o volante de seu carro. Seu Expedito usava sandálias cobertas de poeira, a calça marrom grossa parecia ser quente e a camisa azul tinha alguns botões abertos. A despreocupação com que seu Expedito dirigia era preocupante. A velocidade daquele veículo era absurda. Nele foi possível comprovar que os velocímetros de fato não funcionavam. Olhando pelo retrovisor, havia uma Toyota que fazia o mesmo caminho, e a ameaça de uma ultrapassagem foi o bastante para fazer seu Expedito brincar um pouco com os pedais. Sua sandália estava quase solta sobre o acelerador, mas o pé se mantinha firme, sem fazer esforços aparentes. O que permitiu detectar a fúria de seu Expedito para a ultrapassagem foi seu olhar e a palha que mascava fixamente na boca, agora com mais força. Nesse momento só o som do vento era ouvido dentro do carro, todos os quatro passageiros observavam em silêncio o “racha”que se travara, esperando ansiosamente a chegada em Jataúba. Estrada a frente, seu Expedito anunciou que faria uma parada, arremessando o veículo para fora do caminho”. (PARTE I – AQUI NASCE O RIO CAPIBARIBE)

“Vai Capibaribe, corre pro mar. Deixa suas águas banharem o Recife. Pra banhar as casas pobres de Coelhos, encontrar o Palácio. Vai Capibaribe, corre pro mar. Se encher da água que te faltou em Toritama. Se encontrar com o céu, que te poluiu em Recife. Crescer com o Beberibe. Vai Capibaribe, corre pro mar. Deixa as pessoas viverem em seu curso. Deixa os turistas se encantarem com suas pontes. Deixa a miséria, encontra a fartura. Deixa a pobreza, encontra a beleza. Vai Capibaribe, deixa o Nordeste se orgulhar de seu rio. As nuvens encobriram a paisagem. Aquela chuvinha encerrava nossa temporada em Recife. “É a cidade chorando nossa partida”, brincamos. O desafio de transcrever cada momento vivido, de descrever o sorriso, a expressão e os sonhos de cada conhecido seria imenso. O Capibaribe e sua gente, seus Severinos, não ficariam para trás”. (PARTE IV – A VENEZA BRASILEIRA)

“O Nordeste já não cria seus filhos com destino a São Paulo. A geração que deixou suas terras e buscou outros meios de sobrevivência carrega no rosto a essência da vida severina, no entanto, nestes mesmos traços também podem ser vistas as evidências de esperança, observadas no sorriso de Miro dos Bonecos, por exemplo, que morando em uma das ruas de terra de Carpina encontrou seu meio de vida a partir do trabalho que mais ama”. (POSFÁCIO)

Premiações 2009/2010

* Melhor livro-reportagem da região Sudeste, pelo Congresso Regional das Ciências da Comunicação – Intercom/Expocom Sudeste 2010.
* 2º lugar como melhor livro-reportagem do Brasil pelo Congresso Nacional das Ciências da Comunicação – Intercom/Expocom Nacional 2010
* Melhor Trabalho de Graduação Interdisciplinar na categoria Jornalismo Impresso pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2009.
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